“Eram tempos difíceis, as pernas viviam tremulas, os inimigos estavam sempre à espreita e a confiança era mais valiosa que o ouro.”
-Evincar o Andarilho Arcano.
Era bem cedo, o sol lançava um brilho forte que iluminava toda a vasta planície e acordava todos os seres que a habitavam. Já não era mais seguro acampar por ali, afinal por mais estranho que pudesse parecer, os maiores perigos espreitavam a luz do dia.
Logo recolhia minhas coisas e seguia viagem rumo às montanhas, fazia dias que havia entrado nesta planície e quanto mais andava mais longo parecia ser. O sol estava queimando a superfície de minha cabeça, não conseguiria nem descrever o quão quente estava, e como se não bastasse sentir a cada passo meu corpo queimar, meus mantimentos estavam no fim e o desespero começava a bater. Meu pai sempre dizia que, mesmo o homem mais forte e corajoso deste mundo é incapaz de vencer a natureza, quem dera eu então que era apenas um reles viajante. Já havia caminhado por horas e não via um sinal sequer de civilização, a única coisa que eu conseguia ver eram as montanhas ao longínquo, se minha viagem continuasse neste ritmo, a morte era a única coisa que poderia esperar para o meu futuro.
O sol perecia ter chegado a seu ponto mais forte, o clima de fato não estava normal, o ar estava seco e a vegetação mais ainda, não chovia um bom tempo, já não sabia mais se aquilo era uma planície ou um deserto, nunca havia presenciado tal coisa. Aquilo estava me deixando cada vez mais nervoso, logo minha visão começou a embaçar e aí tive a certeza de que minha viagem acabava ali. Tudo começou a apagar o cheiro das queimadas que iam se formando devido ao clima me asfixiava, e logo perdi a consciência.
“Pobre rapaz, mal sabe que sua ganância o trouxe ao próprio inferno.”
– Artur Patrulheiro de Houen.
Vozes ecoavam pela minha mente, cheguei pensar que Raven Queen estaria tentando me avisar sobre algo, porém as vozes foram ficando cada vez mais claras, e logo meus olhos se abriram, fitando o que parecia ser o tesouro que os bardos tanto citavam em seus contos e musicas. Ela era linda, longos calelos loiros e olhos claros como o céu, fazia tempo que não acordava com um brilho tão lindo e aconchegante.
Eu não tinha a mínima noção de onde havia ido parar, mas para falar bem a verdade a única coisa que eu conseguia pensar é que tipo de anjo estava a minha frente. Seu nome era Alexiel e essa era a mulher que decidiria o meu futuro. Alguns dias se passaram após eu ter ficado inconsciente, minha vida com Alexiel estava cada vez mais íntima, ela era uma ótima costureira, adorava leitura e contos, era a mulher perfeita para um viajante como eu largar esta horrível vida, logo fui me vendo preso àquela cidade e principalmente a Alexiel. Após nossa união resolvemos montar uma pequena loja para vender tecidos, e assim fomos levando a vida como simples camponeses, não queria mais me lembrar de todo o sofrimento que passei como viajante, queria apenas é ter um lindo filho com minha esposa e continuar a descansar ao lado dela.
E assim aconteceu, Alixiel e eu tivemos um filho, um lindo garoto de nome Chainer, criei aquele menino com todo meu amor até seus três anos, quando um homem bateu a minha porta dizendo que um grupo de cavaleiros montados em grandes cavalos negros como a noite, estavam a minha procura. Comecei a ficar em pânico, sabia que minha vida de viajante, todos os problemas que ela carregava, não sumiriam tão fácil assim, a única coisa que pude pensar foi fugir para bem longe de minha família, para não causar-lhes nenhum mau. Peguei um pouco de mantimentos e escrevi uma carta para minha esposa que havia saído. Ali senti que havia perdido tudo que eu tinha de mais valioso, mais não deixaria um sentimento como esse, colocar a vida deles em perigo, fugi para as montanhas.
“A pior dor não é aquela causada por um lâmina, mais sim aquela causada pelo vazio de dentro de seu peito.”.
-Evincar o Andarilho Arcano.
Não estava me reconhecendo, nunca em minha vida ...Continua na próxima semana
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* História Original: Alexandre (Chaves)
